TEXTOS

ENTRE MARGENS

A alegria movia-se, o estado de ânimo era enlouquecedor e vivia-se o ponto mais

alto do ano. Ansiosamente cada cara esperava que a noite chegasse e a

envolvesse na perdição do 31 de dezembro. A noite das promessas, a noite da

magia, a noite do querer, o ser humano perdia-se no esplendor da data e, como

todos os anos, vivia-se o fim do ano na plenitude. E assim, todas as mágoas eram

levadas, todas as alegrias relembradas e a esperança realojada nos quatro

números do ano que se avizinhava.

Para mim era uma passagem e uma ida de mudanças, de fuso horário, de

histórias e de cultura. O último dia do ano não esperava por mim. Uma viagem de

longas horas levou-me e, dentro de um curto espaço de tempo saltei, do 31 de

dezembro no meu país para o 2 de janeiro em Pequim.

As duas primeiras semanas do ano passaram num ápice. A alegria das

celebrações do novo ano durava, mas ao mesmo tempo preparava-se o país. O

ano do rato ansiava e batia à porta, esperando-se ansiosamente as celebrações

do ano novo chinês. Era primeira vez que iria sentir a magia da maior festividade

da cultura chinesa. As ruas enchiam-se de magia, as férias começavam, as

famílias ansiavam o retorno a casa e começava assim o período mais feliz do ano,

na China.

As notícias invadiram as almas, o país viu o momento mais feliz do ano a tornarse

o mais marcante para todas as gerações. Num curto espaço de dias, Pequim

que conheci desapareceu. O país entrou em quarentena, as festividades perdiam

a sua importância e o coração caía-me nas mãos.

A cidade perdia o brilho, aquela cidade cativante, de uma loucura estonteante,

onde um dia era um turbilhão de emoções. O movimento rápido da vida da

cidade, a loucura de um dia de trânsito, o abarrotar dos transportes cheios e o

frenesim de uma cidade inteira tinha-se perdido.

As ruas esvaziaram, as celebrações do ano novo tinham sido canceladas, as lojas

fechavam, a cidade energética perdia-se e envolvia-se numa calma redundante.O

pavor instalara-se, receava-se a doença, as máscaras e os desinfetantes

desapareciam em cada loja, mas a razão sobreponha-se à emoção. As pessoas

uniram-se e ajudaram-se, viu-se o lado bom das almas e cada um no seu próprio

jeito deu a sua ajuda. Vi a solidariedade com Wuhan e com cada cidade. Todos

desempenhavam o seu papel naquela luta amarga.

E, hoje passados dias sem conta, perco-me já em mais de dois meses de

quarentena e os números de 2020, mas mais vale perder dias sem conta de ano

do que perder os futuros anos.

A cidade e o mundo movem-se, os barulhos da natureza sobrepõem-se e eu

respiro ofegante por baixo da minha máscara. É mais um dia e, com um dia de

cada vez, conquistaremos este ano.


Alexandra Albuquerque

DIÁRIO COVID-19

2020 chegou em grande e com as suas ordens para o mundo, desestabilizando a

balança humana. Ficar com a família, sempre foi mais importante do que

"trabalhar duro para dar o melhor para a minha família”. Aproveita o tempo de

quarentena e faz o melhor que podes fazer por ti e pelos que amas. Não voltarás

a ter este tempo depois da pandemia passar.

Para de reclamar da quarentena e coloca-te no lugar dos investigadores, médicos,

enfermeiros, paramédicos, administrativos de saúde, voluntários e todos aqueles

que arriscam as suas vidas e a das suas famílias, para nos darem o melhor. Faz o

que não fazias por falta de tempo e não tenhas com medo. Precisamos de ser

fortes e corajosos. Não sabemos quando poderemos ver os nossos parentes e

abraçá-los com fervor. Não sei quando poderei convidar um amigo para almoçar

ou jantar, ir ao encontro da namorada no final do dia, assistir àquela peça de

teatro, ou ao filme em cartaz durante o fim de semana.


Vejo o mundo parado e quase tudo se vai encaixando no seu devido lugar.

Animais soltos e humanos “engaiolados”. Uma doença perigosa chega até a ser

vista como uma “coisa normal”, ou “gripezinha”, mesmo vendo comunicados de

milhares de mortes pelo mundo, que os profissionais de saúde vão informando

periodicamente.

As famílias já têm todas as refeições na mesma mesa e os serviços de saúde

agora têm mais poder, do que os políticos, os endinheirados e os cultos

milagrosos. Não é o tempo que cura, mas a atitude e bravura dos investigadores,

médicos, enfermeiros, paramédicos, administrativos de saúde, motoristas e

voluntários. Precisamos de saber que não é uma questão de idade ou tempo. As

nossas atitudes e decisões de hoje, irão levar-nos mais longe do que

imaginamos.


“Fique em casa”, tornou-se a palavra de ordem, para que nos possamos abraçar o

mais rápido possível. Laboratórios, farmácias, administração local e empresas do

setor alimentar (agricultores, fábricas, matadouros, supermercados,

transportadoras/motoristas), estão a arriscar as suas vidas e dos seus familiares,

para que não faltem alimentos, medicamentos e produtos de higiene ou proteção.

Nada é para sempre e em breve voltaremos a estar com os nossos amores. Vamos

todos ficar bem!

Sê a força e alegria de quem está sem a família em casa, noutra cidade isolado, de

quem não pode sair de casa, devido à vulnerabilidade que acarreta o seu estado

de saúde, de quem não tem comida em casa ou produtos de higiene, de quem

está a perder tudo nesta fase da vida, por não ir trabalhar, das empresas que

deixarão de existir, por não terem como recomeçar, ou dos funcionários que irão

perder o seu emprego.


Filipe Lema

LUTA

Havia um lutador, que lutava sempre que podia.

Havia um lutador, que lutava sempre que tinha de lutar.

Não lhe importava o tamanho do adversário, pois sabia que o que realmente

importava era o tamanho da luta. E uma luta só é grande quando há demasiado

risco. Uma luta só é grande, se tivermos de ser maiores do que nós próprios. É no

limiar da resiliência humana que os nossos limites são testados e quebrados. Ao

atravessar, a testar e a quebrar o impossível, lançamo-nos sem barreiras com

ganas de vencer. O lutador quer vencer.

Com uma coragem luminosa, a sombra do medo desvanece. Olhar assertivo,

cabeça erguida e postura. O lutador não escolheu a sua luta, mas escolheu

recusar-se a desistir. Escolheu lutar. Não só por si, mas por todos os que quer

proteger. Não por ser mais fácil, mas por ser o correto.

Escolheu lutar.

Talvez nem tivesse escolha. Talvez a alternativa fosse simplesmente perecer.

Escolheu aceitar a responsabilidade de terminar a luta. Tomou a decisão de que

esta luta lhe pertencia, assim como todas as suas ações e todas as respetivas

consequências eram dele. Qualquer que fosse o tamanho da luta, e era realmente

uma luta colossal, ele seria maior.

O lutador tinha de lutar, juntando todas as suas força e toda a sua essência.

Lutou sem descanso, pois a luta também não descansava. Lutou sozinho, mas

sentia o calor de milhões de corações. Lutou, descobrindo a sua própria

fragilidade e a força descomunal do seu oponente supremo, ignorante da força de

vontade do lutador. Ignorante das inúmeras batalhas por ele travadas. Ignorante

de séculos de história que preconizam o resultado de tão extraordinária luta. O

lutador vencerá, pois é da sua natureza vencer.

O lutador és tu!

Então luta, porque podes lutar…

Luta, porque podes vencer!


Leonel Gonçalves

E AGORA... VAIS FICAR IGUAL?

Não. Não sou apologista, neste momento, de “lições de moral”, nem de “bem vos

avisei” ou “temos vivido só para a matéria e o Eu tem ficado para trás”. Ou de:

“Estava mesmo na altura de algo acontecer para que parássemos e redefiníssemos

prioridades”.

Não estou com muita paciência para falar do que, infelizmente, se tornou óbvio

para todos. A “lição de moral”, dentro do que se tornou transversal - a todos – é

individual e quanto a mim deve ser respeitada.

Cada um, não só interpreta o que vê, sente e sabe, de uma maneira especial,

como também tem o seu próprio tempo para digerir emoções e sentimentos. E,

depois, é livre de escolher como aplicar essas aprendizagens – se assim as viu

como tal – na sua vida.

Portanto, o que pretendo (desejo) é que aproveitem o tempo de “prisão” para se

libertarem, para se (re)conhecerem como seres humanos, para se aceitarem –

com o que têm de bom, o que têm de menos bom, e com o que não têm/são, ou

nunca vão ter/ser. Adorava ter 1.70m e não tenho. Adorava não ter de pagar

impostos e pago. Adorava viver em Bali e poder estar em Portugal ao mesmo

tempo. Não dá. Avancemos…

É importante, agora, isto: aceitação. Aceitação de que não controlamos nada, a

não ser os nossos pensamentos e comportamentos. Enfim, controlamos – e com

alguma dificuldade - a forma como reagimos aos eventos exteriores. Os eventos

interiores são os da nossa alma, do nosso coração, uma consequência daquilo

que acontece no exterior, à nossa volta, no nosso dia-a-dia, a nível social,

profissional e familiar.

Como tal, deixo a pergunta (porque a resposta é tua):

E, agora? Vais continuar a pensar da mesma forma como antes?

Vais continuar a dar prioridade a coisas que, entretanto, tiveste de dispensar,

ainda que obrigatoriamente, mas que, na realidade, não te faziam falta nenhuma?

Vais descansar mais vezes, de uma forma diferente?

Vais cuidar mais do teu organismo?

Vais olhar mais vezes para o céu e agradecer?

Vais dizer mais vezes “Amo-te” às pessoas que moram no teu coração?

Vais dar mais beijos e abraços e deixar-te ser beijado e abraçado mais vezes?

Vais tentar, por favor, não guardar o ser feliz para amanhã e ser feliz hoje?

Não interessa, como. Mas vai. Vai ser feliz e que seja já hoje!


Vanda do Nascimento

NO MEIO DO CAOS

É em tempos de amargura que o pior da Humanidade encontra o seu lar. É em

tempos de necessidade que os valores morais se desintegram contra paredes de

egoísmo e ganância coletiva. O desespero e a necessidade de sobrevivência toldam-nos

a perspetiva e seguimos, fátuos e ignorantes.

Embora, por vezes, sejamos capazes de impor mal na vida uns dos outros

e ocasionalmente negligentes na forma como tratamos o próximo, encontramos, no

meio do caos, motivos de Esperança: momento únicos e emotivos, capazes de

restaurar a fé da Humanidade em si própria. Nas últimas semanas fomos forçados a

isolar-nos e a viver escondidos de um inimigo que não conhecemos, mas tememos

vivamente não pelo que ele é e sim pelo que nos nega, por nos usurpar tudo o que

tomamos por garantido: o toque de um amante, as experiências por vir, a sanidade

de pertencer a um coletivo e, acima de tudo, o convívio.


Contudo, uma coisa é certa: o inimigo não nos quebra. Nunca quebrará. No meio da

ansiedade e da nossa atual natureza profilática (repleta de consultórios médicos

sediados em redes sociais e de sintomas reconhecidos pelo Google, ou por amigos

que “ouviram dizer que”), ripostamos com criatividade, munidos com escudos de gel

desinfetante e balas de papel higiénico, tal e qual zarabatana.

Tiramos o melhor da pior das situações e fazemos rir aqueles a quem pouco humor

resta, damos esperança àqueles a quem a vida já negou tanto, ou àqueles a quem a

vida ainda não cumpriu um terço do prometido. Sofremos com quem sofre,

bradamos cânticos de união nas janelas do nosso coração e incentivamos quem nos

protege, pois por muito egoístas e gananciosos que sejamos enquanto indivíduos,

nada supera a verdadeira humanidade. A par do pior exemplo do que pode um ser

humano fazer, surge o exemplo do melhor que somos capazes de fazer, juntos e uns

pelos outros.

Fazemos o bem numa época ruim e fazemo-lo juntos, sob idiomas diferentes,

culturas díspares, mas a mesma esperança no peito. Aquela que nos diz que após a

tempestade virá a bonança e com ela tempos de felicidade, de progresso e amizade.


Diogo Queijo

OLHARES

Acordei, e não tendo horários a cumprir, por o país estar em estado de emergência,

decidi ficar um pouco mais na cama, como toda a família, aliás. Nove horas da

manhã. Hora de acordar, arranjar o pequeno-almoço e acordar os rapazes, até

porque o ano escolar não parou, apenas se transformou o seu método de estudo. A

refeição decorreu na calma de quem tem um dia de trabalho pela frente, mas com a

possibilidade de o viver na tranquilidade de casa, com os quatro elementos da

família já organizados e a trabalharem cada um no seu compartimento preferido.

O dia amanheceu cinzento, mas ao longo da manhã o sol rompeu por entre as

nuvens, inundando de luz as ruas da cidade. Abro a janela e, atraída pelo seu calor,

saí para a varanda, encostei-me na grade, ali fiquei de olhos fechados e cabeça

erguida na direção da luz, a mente concentrada apenas na maravilhosa sensação do

calor do sol amenizado pela aragem do vento que me acaricia o rosto. Tudo isto

proporcionado pela minha própria varanda de casa, num dia de semana. “Que

calma”, pensei.

De repente, um ruído de saltos na rua deserta impulsionou-me a baixar a cabeça e

abrir os olhos. No passeio empedrado caminhava uma rapariguinha, talvez da idade

dos meus filhos. Passeava um cão de médio porte, cuja trela segurava firmemente.

De repente, o miado do meu gato que, junto às minhas pernas, espreitava pelos

espaços abertos da grade da varanda, atraiu a atenção do animal que latiu em

resposta. E então ela ergueu a cabeça para descobrir a causa do comportamento do

cão. Por detrás da máscara, proteção necessária a algumas pessoas nesta fase de

pandemia, encontrei uns olhos acolhedores e nem precisámos de falar, pois ambas

soubemos o que estávamos a pensar. Sorri e sei que o brilho que apareceu naquele

olhar era de quem me devolvia o sorriso. Percebi o quanto aprimorei o saber

interpretar os olhares e o quanto estes, libertos de máscaras, falam. Nesse instante,

soube que não será este isolamento social que me tirará isso. Bem pelo contrário. Se

antes gostava de falar a olhar nos olhos dos meus interlocutores, agora tornou-se

imprescindível. Afinal, “os olhos são espelhos da alma” e a alma de cada um carrega

a sua essência!


Lúcia Lourenço

O RELÓGIO NÃO VAI PARAR

Os tempos que correm não têm sido fáceis. A verdade é que humanidade se viu

obrigada a deixar a rotina a que tanto estava habituada e a se adaptar a novas

realidades e desafios. Juntámo-nos todos no mundo protegido de quatro paredes, e

fomos “até onde a vista alcança da nossa janela”, pois não nos deixam ir mais além.

Costumávamos ter um bode expiatório para tudo o que de mal nos acontecia,

havendo sempre alguém ou algo para acusar. Quantas vezes nos virávamos uns

contra os outros, apenas com revolta por algo que nos acontecia? Agora não!

Estamos todos juntos contra o mesmo inimigo, algo invisível, mas que sabemos que

existe e tem força suficiente para nos matar. Apenas a nossa força coletiva e a nossa

união conseguem ter poder suficiente para o exterminar. Está nas nossas mãos

acabar com este inimigo ou deixá-lo viver por ainda mais tempo.

O mundo já passou por desafios tão perigosos ou ainda piores, épocas essas que

ficaram gravadas nos livros de História, em que sempre pensámos “como é que os

nossos antepassados ultrapassaram tudo aquilo?!”. Pois bem, temos agora a

oportunidade de o sentir no momento. Seremos os heróis dos livros de História que

serão lidos aos nossos netos e bisnetos, os antepassados corajosos que venceram

uma praga que matou milhares de pessoas no mundo.

Sempre foi difícil para o ser humano alterar a sua rotina diária, especialmente

quando era obrigado a isso, e quando acontecia de um momento para o outro. No

entanto, podemos tornar esta nossa nova realidade no nosso quotidiano agora. Nem

todas as mudanças são desejadas ou agradáveis, mas só nós podemos decidir o que

fazer com tudo o que nos está a acontecer neste momento. Ficar em casa revoltados,

irritados e a tentando encontrar o tal bode expiatório que não aparece, ou ficar em

casa, esperançosos, tentando criar a melhor versão de nós e perceber que estes

meses não são uma pausa na vida, mas uma oportunidade de melhorarmos a nossa

forma de a viver?

O relógio não vai parar e a falta de tempo que dávamos como desculpa deixou de

fazer sentido. Estamos todos juntos nisto agora e na realidade que virá depois disto.

Se será diferente? Sim, estaremos todos diferentes daquilo que fomos outrora.

Talvez precisássemos de parar para olharmos para o nosso interior, para aquilo que

perdemos por causa do excesso de trabalho e para aquilo que um dia fomos e nem

nos apercebemos que deixámos de o ser.

Seguiremos firmes em perigos e guerras esforçados, mais até do que prometia a

força humana.


Glória Pires

PESSOAS ASSIM E ASSIM

Há por aí muitas pessoas assim.

PESSOAS-ESPELHO: Só se veem a si próprias e acham-se as melhores de todas.

PESSOAS-CARROÇA: Quanto mais vazias, mais barulho e espetáculo fazem.

PESSOAS-GAFANHOTO: Vivem aos saltos de um lado para o outro e não param.

PESSOAS-BALÃO: Sempre muito inchadas, mas por dentro não têm quase nada.

PESSOAS-SANGUESSUGA: Passam a vida a aproveitar-se dos outros.

PESSOAS-CAMALEÃO: Estão sempre a mudar a sua maneira de pensar e agir.

PESSOAS-PAVÃO: São exibicionistas e gostam de ser observadas e elogiadas.

PESSOAS-AGENTE 007: Parecem andar sempre desconfiadas de tudo e todos.

PESSOAS-AVESTRUZ: Colocam a cabeça debaixo da terra quando há problemas.

PESSOAS-CROCODILO: Têm uma boca enorme para dizer mal e criticar.

PESSOAS-PAPAGAIO: Não se calam e só sabem repetir as mesmas coisas.

PESSOAS-PINGUIM: São frias afetivamente e deambulam distantes de toda a gente.

PESSOAS-MOSQUITO: São umas chatas e estão sempre a incomodar toda a gente.

PESSOAS-CARRINHO-DE-MÃO: Alguém tem que estar sempre a empurrá-las.

PESSOAS-CATO: Por qualquer parte onde se lhes toque, picam e magoam.

PESSOAS-SUPER-HOMEM: Parecem viver apenas no mundo da fantasia.

PESSOAS-AVIÃO: Andam sempre nas nuvens e não aterram na realidade.

PESSOAS-BORBOLETA: Voam de um lado para o outro, vivendo das aparências.

Mas, felizmente, também há muitas pessoas assim:

PESSOAS-PERFUME: Irradiam bom ambiente onde estão e por onde passam.

PESSOAS-TIJOLO: Estão sempre prontas para ajudar, criar e construir.

PESSOAS-CORAÇÃO: Sabem amar a todos de forma desinteressada e fraterna.

PESSOAS-PONTE: Sempre dispostas a levar a concórdia e a promover o diálogo.

PESSOAS-PALHAÇO: Estão sempre a provocar um sorriso ou uma gargalhada.

PESSOAS-AÇÚCAR: Sempre muito doces, meigas e ternas para toda a gente.

PESSOAS-FLOR: Inspiram sempre muita serenidade e amabilidade em todos.

PESSOAS-CHAMPANHE: Adoram festas, espalham alegria, otimismo e esperança.

PESSOAS-ESCUTEIRO: Fazem boas ações, cuidam da natureza e são solidárias.

PESSOAS-TELEMÓVEL: Gostam muito de falar com os amigos e familiares.

PESSOAS-ÁRVORE: Vivem para dar aos outros tudo o que têm e são.

PESSOAS-LANTERNA: Gostam de iluminar a vida dos demais para que não caiam.

PESSOAS-ÓCULOS: Preferem contemplar o essencial e que é invisível aos olhos.

PESSOAS-LIVRO: Gostam de partilhar os seus conhecimentos e a sua experiência.

PESSOAS-AQUECEDOR: Estão sempre prontas para aquecer o coração de alguém.

PESSOAS-ÁGUA: Sabem como saciar a sede de felicidade e bem-estar dos outros.

PESSOAS-CÃO: São sempre fiéis e gostam de estar sempre lá quando são precisas.

PESSOAS-SOL: Sabem ser luz e aquecer a alma de quem mais necessita.


Paulo Costa

VOA

Parece-te que o mundo parou. Não. Acredita: só agora começou a viver. Só agora tu

vais começar verdadeiramente a viver. Podes questionar-te como, mas vai até à

janela, abre o vidro e fecha os teus olhos. O que dizem os teus sentidos? Começa por

ouvir. Consegues ouvir o vento, a chuva e os pássaros? Sim, é a vida a acontecer e a

chamar o teu eu interior à sua beleza. No silêncio desses sons, tu consegues sentir

na pele a liberdade que o teu espírito pode ter. Abre-te à liberdade de voar dentro

de ti mesmo. Sentes o vento na pele? Novamente, é um chamamento da vida para

que te apercebas de que as coisas mais belas e essenciais são aquelas que são

simples. Sentes o calor do sol? É a luz que te convoca a seres feliz em ti e contigo. É a

inspiração de que precisas para superar todas as tuas dúvidas e todos os teus

receios.

Este é um tempo de recolhimento físico e social, mas é um tempo de liberdade

interior, no qual vais descobrir o que te faz feliz, o que te permite ser mais e melhor.

Neste tempo, não permitas que o medo de te conheceres possa obscurecer a tua

felicidade. A felicidade é uma meta, mas também é um caminho. Para e ouve-te.

Tantas vezes nos perguntávamos: se a minha vida não fosse esta, o que é que eu

escolhia? Se eu pudesse ser totalmente livre, o que é que me chamava? Pois bem, se

estás em casa recolhido, estás basicamente nesta situação. Assim, o que é que te faz

feliz, o que é que te chama? Neste momento, podes ser o que quiseres, porque

podes sonhar. “O sonho comanda a vida.” Então, qual é o teu sonho? Todos temos

um aventureiro, um sonhador e um artista dentro de nós! O que é que nunca tens

tempo para fazer e que agora parece que tens tempo a mais? Dá largas à tua

imaginação e à tua criatividade! Solta-te das amarras da prisão física. Deixa o teu

espírito viajar. Percorre os lugares especiais em ti e constrói algo belo e único.

A tua única missão em quarentena é seres feliz nas circunstâncias em que te

encontras, mantendo a esperança como tua bandeira! Volta a fechar os olhos. Ouves

os pássaros e sentes o sol? É a vida a chamar-te! Coragem! Voa!


Joana Simões

NASCER OU RENASCER?

Gostas realmente de ti? Tens orgulho no adulto em que te tornaste? Há um tempo

atrás, fizeram-me estas perguntas. A resposta foi “não”. Não me sentia realmente

preenchida. Poderia eu gostar verdadeiramente de alguém se não tinha amor

próprio?

Felizmente, hoje, o sentimento mudou. O processo não é fácil e, por isso, não

consigo dizer-vos se nasci ou se renasci. Vou contar-vos como tudo mudou e em tão

pouco tempo.

Primeiro livrei-me de tudo o que não me fazia bem, tudo o que me prendia e não me

dava a sensação de plenitude. Isto foi importante para que tivesse um só foco: a

minha felicidade. Imagina que tu és uma empresa, e que queres começar a contratar

colaboradores. Qual o tipo de colaboradores que queres? Aqueles que querem dar o

melhor de si, que querem fazer com que a tua empresa cresça, que seja cada vez

melhor e que dê mais lucro para que possa igualmente crescer ao teu lado. O mesmo

se sucede nas relações e amizades que escolhemos.

Em segundo, comecei a despender mais o meu tempo com as coisas que me faziam

realmente feliz, como dançar, cantar, ler, escrever, passear com os meus cães, e

repetir isto, vezes sem conta. Aqui apercebeste o quanto podes ser feliz sozinho, que

os momentos realmente bons são proporcionados por ti e que não dependem de

mais ninguém.

Em terceiro, comecei a praticar meditação. Confesso que já tinha tentado antes, mas

não funcionava. Quando a tua vida começa a ficar mais leve e mais clara, a

meditação passa a fazer sentido. Na respiração profunda consegues aperceber-te do

quão frágeis e fortes podemos ser. Frágil, porque nunca vais conseguir controlar o

teu organismo e vês o quão bela é a natureza do ser. Forte, porque consegues

mentalizar algo bom e transformá-lo em algo muito melhor. Com a meditação,

aprendes a aceitar-te, a auto elogiar-te e, mais importante do que isso, a amar-te.

É antes de passar para o último passo que reconheces o teu valor. É quando gostas

realmente de ti, é quando te vês ao espelho e gostas do que vês, é quando te aceitas

tal como és. É quando buscas o autoconhecimento que nasces ou renasces

verdadeiramente. Aqui sentes que és um ser de luz, um ser que é e vibra amor.

É aqui que estás realmente preparado para um novo colaborador na tua

empresa/vida, não porque precises, mas porque irá completar e acrescentar valor.


Patrícia Vieira

UM NOVO MUNDO

Era um dia de céu limpo e ouvia-se os pássaros a cantar harmoniosamente.

Subitamente, o meu neto vem a correr ao meu encontro a chamar-me:

- Avô, avô!

- Olá meu querido neto – disse o avô.

- Na escola estou a fazer um trabalho de história sobre o acontecimento do Covid-19,

que aconteceu há 50 anos. Podes-me falar um pouco como começou?

- Sim claro – disse o avô e continuo - Tudo começou em Wuhan, na China em

dezembro de 2019. Devido à facilidade de locomoção do ser humano, no mês de

fevereiro o coronavírus já estava em todos os continentes.

- Que cena! - Exclamou o rapaz. E o que fizeram?

- Foram tempos difíceis, houve despedimentos, ficámos em casa, passámos por

dificuldades financeiras e morreram muitas pessoas. É nestes momentos que as

coisas simples realmente importam. Houve uma grande entreajuda, que mostrou que

somos todos iguais e que somos seres Interdependentes, acreditando

incondicionalmente que iria surgir um novo mundo ainda mais equilibrado e

harmonioso. Toda a Humanidade é uma só Família. O Amor vence sempre - o avô fez

uma pausa e disse - Sabes meu neto, “não vemos o mundo como ele é, mas sim como

nós somos”.

- Como assim avô?

- As condições externas, acontecimentos e religião são fatores importantes, mas não

definem quem tu és. Não vemos o mundo no sentido visual, mas sim em termos de

perceção e interpretação.

- Faz sentido. Na minha turma tenho duas colegas gêmeas, vivem no mesmo

ambiente e são completamente diferentes.

- Exatamente- exclamou o avô.

- E como posso trabalhar isso? - Perguntou o rapaz.

- Estando atento aos nossos paradigmas. É um trabalho de melhoria contínua

(Kaizen) para toda a vida. Não existem atalhos.

- O que são paradigmas?

Paradigmas são mapas, padrões mentais que influenciam a forma como nos

comportamos e buscamos um sentido para a nossa vida. Muitas vezes acreditamos

em coisas que não são verdade e levamos como verdades absolutas para a nossa

vida. Quanto mais consciência temos dos nossos paradigmas, mais responsabilidade

podemos assumi-los, analisá-los, questioná-los e testá-los em conformidade com a

realidade. A responsabilidade significa habilidade de resposta a um determinado

estímulo, através da liberdade de escolha. Que escolha vais decidir hoje que vai

influenciar não só quem tu és a curto prazo como a longo prazo?

- Eu escolho ser feliz!

- Excelente escolha meu neto! – Disse o avô emocionado e orgulhoso.


André Marques

COSTUREIRA

Era mesmo assim. Uma daquelas pessoas com as rédeas da vida nas mãos. Daquelas

pessoas que quer chegar longe e rápido. Que procura atalhos e evita erros.

Acreditava na história que contavam de que o segredo para sobreviver estava na

distinção. E acreditava que se destacaria pela quantidade de coisas, nunca menos

que magníficas, que conseguisse concretizar. Acreditava mesmo que seria tão mais

feliz quanto mais conseguisse corrigir o mundo.

E, por isso, dedicava a vida a desfazer nós: os nós das linhas, os nós das cordas, nós

dos cabelos e nós na garganta... Nós eram obstáculos e ela, costureira da vida, tinha

que a tecer de forma perfeita, sem sinal de contrariedade ou falha.

Ia alimentando o ego a vitórias e conquistas. Tecia coisas lindas, que expunha em

autênticas montras nos corredores de sua casa onde vivia sozinha, sem distrações ao

seu ritmo produtivo, e criativo.

Quando o “bicho” chegou… ou melhor, quando o “bicho” tardou em ir-se (porque

cada dia em que estávamos afastados era um dia a mais do que devia ser!) não tinha

ninguém para admirar as suas obras. Rodeada de feitos, estava só. Sem nada para

corrigir que não fosse a saudade de gente que sentia. Tinha frio… no coração.

Um dia (que nunca soube ao certo quantos dias demorou) ouviu uma voz. No silêncio

do mundo, ouviu outra voz que não a dos seus pensamentos. Sem ter tempo de

pensar se devia ir ou não, deu por si já na varanda à procura da face daquele apelo…

varreu a paisagem, atenta como quando corrigia o mundo. Outra vez a voz, vinha de

baixo…

Uma vizinha tinha ficado presa na sua própria varanda, no quarto andar.

Estendeu a mão… mas o braço não obedecia à sua vontade de se expandir e resgatar

a vizinha.

De forma automática e ágil, correu a recolher as obras tecidas e expostas. Uniu-as

através de nós e lançou esta esperança pela janela. Fincou pés no chão e fez-se pilar

enquanto a vizinha subia. Celebraram as duas num abraço cujos riscos demoraram a

ser processados, mas cujos benefícios foram imediatamente evidentes para ambas.

A vizinha apressou-se a tentar arrumar a desarrumação criada, a desfazer os nós que

amarrotavam as obras. Conteve-a. Aqueles nós direitos, a unirem pontas diferentes,

permitiram reduzir a distância que a separava do mundo. Aqueles nós, outrora vistos

como erros ou problemas, eram agora prova de força e do poder que o que não

prevíamos tem de nos surpreender e de nos presentear com coisas novas,

inesperadas, tão bonitas.

Estava a descobrir que, afinal, somos tão mais felizes quanto mais formos do/para o

mundo.


Ana Ramos

AS SERPENTES E OS DEUSES

Num plano desconhecido do Universo, o mistério.

Um deus no deserto contemplava duas serpentes lutando.

Uma dança mortal.

Ergueu, a espada que lhe adornava a cintura, e cravou na areia entre as criaturas.

Estas enrolaram- se na ponta, subindo pela lâmina, dolorosamente.

Em ruídos dilancerantes, atingiram o punho da espada onde ficaram petrificadas

harmoniosas, belas, transcendentes.

Um raio rasgou o Tempo e atingiu a Espada.


Uma Voz soou: "Enquanto os deuses e os homens não entenderem que em cada um

existem 3 níveis de consciência… a Animal, a Psíquica e a Espiritual e chegar a

Sabedoria terão de harmonizar-las, estará para sempre vedada a porta da Plenitude.

O Arco ascendente que puxa todos os habitantes de volta para Casa.

A animal e a espiritual são fáceis de domar mas a mais difícil é a Psíquica, é ela que

equilibra as 3. Olhai a Espada . Observai as serpentes. Do mais profundo abismo,

da paixão, da luta, do sangue, e das trevas, percorrendo com dor lacinante, brilho e

rasgo eis-las na vertical em todo esplendor, num feixe que puxa todos os habitantes

do Universo de volta para o que É! Só conhecendo-te a ti mesmo, conhecerás os

Deuses e o Universo".

Esta estória é mitológica. O Mito é algo muito profundo. É um mapa moral que

percorrendo-o dá a capacidade ao Homem para exclamar a Palavra que veio ao

Mundo dizer.

A Palavra que tem de ser dita nem que no fim se tombe.

O que faz que tudo tenha sentido é a renovação da certeza que todos podemos

conhecer o que os Deuses têm para nós destinado, ganhando altura como Humanos.

É uma Espiral.

Na Espiral presume passar pelo mesmo ponto, porem mais acima, em valores

activos, conscientes, ágapes, virtudes que nos fazem brilhar.

Quem Busca no meio do caos que vivemos actualmente é um idealista. É alguém

que não deseja apenas que as circunstâncias mudem, mas procura também

responder a essas mesmas circunstâncias, acrescentando valores e um outro

mapa, ainda melhor.

O Amor á Sabedoria, quebra o feitiço do mundo pequeno, o fetiche de controlar as

coisas.

Quando a Vida nos obriga a olhar o Abismo, saibamos, temos uma Espada , a

Coragem.

O Sol já presenciou o drama humano, mas também a Glória Humana.


Eduarda de Oliveira Ribeiro

GRATIDÃO POR QUEM?

Algumas palavras com belos significados acabam perdendo sua força quando

repetidas tantas vezes. É o caso da palavra "gratidão". Pela internet encontramos

diversos textos e vídeos sobre gratidão. Há muitos livros e palestras sobre o assunto.

É possível encontrar até aplicações de telemóvel que nos notificam todos os dias com

"é hora de agradecer".

Mas apesar de uma certa banalização desta palavra, o sentimento de gratidão ainda é

fundamental para nosso bem-estar.

Confesso que instalei uma dessas aplicações mas logo deixei de usá-la. Também

arranjei um caderno para anotar as coisas pelas quais sou grata e anotei por uns

poucos dias. Sei que talvez eu devesse ter sido mais disciplinada, ter insistido nisto

por pelo menos 21 dias, afinal dizem que este é o tempo para que algo se torne um

hábito. Mas acabei notando que a gratidão que eu estava exercendo talvez não

estivesse me causando efeito positivo porque eu estava esquecendo de agradecer

uma pessoa importante para mim: eu mesma.

Parece óbvio, mas várias vezes nos esquecemos do quanto somos importantes para

nós mesmos.

Enquanto eu não aprendi a agradecer a mim mesma pelo meu esforço e só agradecia

a factores externos, pensava que conseguia coisas boas por sorte, que é algo que não

temos controle algum. Por isso, passei anos angustiada com medo de perder o que eu

tinha de bom (afinal, se ganhei por sorte, não sei se ganharia de novo) ou me sentia

injustamente privilegiada. "Eu não mereço" era uma frase que se repetia em meus

pensamentos.

Todos nós gostamos de ter nosso esforço reconhecido, não é verdade? E se eu mesma

não reconhecia, de que valeria me esforçar mais? Sem reconhecimento, nossa energia

logo se esgota, o mínimo esforço toma proporções maiores, tudo fica mais difícil.

Se não aprendemos a agradecer à nossa capacidade de ter superado dores, sido

paciente, enfrentado uma fase difícil, nossa autoestima se enfraquece e

inconscientemente vamos buscar sofrimento por achar que merecemos sofrer por

não sermos bons o bastante.

Se não somos gratos a nós mesmos, não percebemos que somos pessoas capazes e

merecedoras. Capazes de se dedicar, de aprender, de enfrentar obstáculos, quantas

vezes for necessário e que por isso não precisamos nos apegar ao que não está bom.

Não precisamos nos manter num emprego ruim, em relacionamentos tóxicos, vivendo

em um lugar com más condições. Se nos sentimos capazes, conseguimos coragem

para mudar para melhor.

Então nunca se esqueça de agradecer a si mesmo. Continue a agradecer o brilho do

sol, a beleza do céu, a saúde de quem ama e as coisas que correm bem, mas lembrese

de reconhecer seu esforço, de valorizar a sua história, a sua experiência. Saiba que

o que você tem de bom, você conquistou e que por isso ainda há de conquistar muito

mais.


Luciana Caraça

SÊ REVELAÇÃO

Vivemos hoje, um dos momentos mais desafiantes da humanidade. Em reação, somos

os fiéis mercenários do medo, do pânico, da escassez. Em reação, o pensamento

esvai-se para o consumo, porque pode faltar. Em reação, a reclamação ocupa lugar,

espaço e força. Em reação, a queixa cumpre a vitima. Em reação, a culpa ergue o dedo

para a satisfação do ego.

Num mundo que caminha veloz, impõe-nos a sabedoria, o abrandar. Ela impõe-nos o

romper das antigas estruturas patriarcais como o julgamento, a crítica, a punição, o

egoísmo, a comparação, a separação e o invocar do mais belo de nós. O momento

pede olhar o coração,

não o umbigo. Pede união. Pede dar, darmo-nos, dar ao outro. Pede ação consciente

e responsável. Pede mudança. De todos. Para sempre. Pede empatia. Pede amor, pelo

próprio, pelo outro. Pede abrir e estender a mão. Pede rendição total. Pede perdão, a

ti e ao outro.

Pede compreensão. Pede aceitação, de ti e do outro. Pede respeito. Pede permitir

sentir, o que sempre insistimos negar. Pede expressão, pura. Pede reflexão,

profunda. Pede, simplesmente, a metamorfose da humanidade.

Num infindável número de caminhos já percorridos e, diversos entre si, é hora de

largar os desvios, voluntáriamente. Que os destroços, não sejam mais motivo para

recalcular a rota.

Sabemos exatamente o percurso a seguir. Sabemos, porque sentimos a batida do

coração.

Sabemos, porque confiamos na mestria que nos compõe. Sabemos, porque

acreditamos que apenas juntos, podemos reconstruir aquilo que também juntos, já

destruímos.

Em plena travessia da aparente quietude, que os nossos olhos enxerguem as cores,

que a razão sempre nos ofuscou.

Eu preciso de ti. Tu precisas de mim. Precisamo-nos. Aqui e agora. Na ilusão do

imenso, afinal somos poucos. Tu, fazes falta. Eu, faço falta.

Sejamos sempre assim, unos.

Por ti. Po rmim. Por nós.

Em momento de revolução, sê revelação.

Revela-te!


Patrícia Ribeiro

 

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